sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Escrever é Dar Nome aos Bois
Já não é suportar subir e descer rodar cair e levantar.
Adrenalina Serotonina Cocaína Paixão Patologias.
É viagem de ida, a vida
Cara a Cara com o vento
Cara a Cara com o nada
É o risco. O cisco no olhar.
Sem escolha, apertar o cinto (o sinto), e ir:
...
Modernidade
A vida é líquida
ou
A vida é dura?
eis a questão
...
O Sólido Desmancha no Bar
me afago num corpo
me afogo num copo
pago acendo e apago
esse cigarro fogo fátuo
e enfim me despedaço
em cacos
de vida
...
Paixão
cabeça confusão
coração - descanso dos pés
o chão à nuvem
depois o chão, só
só, o chão
quer queira
quer não.
...
Antes montanha que roleta russa.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Que Soltem as Férias
é chegada a primavera
de Pragas
Porque não existe primavera sem borboletas
e não existem borboletas
sem Larvas.
...
sai o sujeito pra fora da forma
e fica sem jeito sem pano
pra manga
sai o sujeito pra fora da norma
e fica só peito só papo
sem dente
sai o sujeito pra fora da veia
e fica só sangue só leite
sem seio
sai o sujeito pra fora do eu
e fica só casca só casa
sem dentro
sai o sujeito pra fora do nome
e fica só gente só cara
se esconde
sai o sujeito pra fora do mangue
caranguejo sem barro
morre
de fome
...
falta terra no planeta água
falta água no planeta sertão
falta distribuição no planeta terra
falta sede nos gritos de revolução
falta muito. mas de pouco em pouco
a borboleta vira furacão
Pelo horizonte. Não pra chegar. Mas pra continuar.
Passo a passo.
passo...
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Um pouco de flor, com seus espinhos e pingos (sangue e orvalho)
Depois de um tempo por fora, se volta pra dentro.
Depois de um tempo, o espaço (sideral, espectral, vazio, preenchido de).
E, é claro, aquele íssimo íssimo íssimo. Cansaço.
A Tarde Talvez Fosse Azul
Nofim tudo se resume em sexo
esse coitado coito
essa dança sem nexo
tudo se sintetiza no desejo
esse imã de vento que
não vejo, mas creio
pelo que passo nos passeios
de beijo em beijo
de apelo em pelo
de fora pra dentro
da paixão ao chão
do colchão ao caixão...
mas não. sinto muito.
não sei trocar de corpo
como troco de roupa
Há algo mais pra tocar
batendo no peito na porta
na boca no nada sem sentidos
aí escorre o coração: a candeia dos vivos
...
queria, vez ou outra
falar de amor
gastar na escrita essa
gastrite nervosa
falar de flor da saudade de não ter
ilusão no concreto da realidade
olhar o horizonte por cima do muro ver
a alvorada brilhar como olhos damada
mas não vejo ela vejo a tela novela mídia medo
vejo sem ver – cego de mãos e de dedos
não sei descrever meus segredos não sinto o que seja
apenas desejos. e desvejo esses elos com medo. Medo...
...
Um Queijo do fundo do peito.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Saindo do Casulo: Larvas Rastejando rumo ao séu
Há um espectro rondando as ruas ruidosas das minas.
Depois de recitais cada vez mais fortes da performance Sujo & Malavrado em Soul João, Divinéia e Larvras, surge o grupo Larvas, já almejando lodosos horizontes. Segue matéria publicada no sítio do projeto de dixtensão da Uéfe ésse jota, Quinta Cultural, sobre a pretendida presentação desses pretenciosos, novamente nas veredas do grande CTan:
O que vamo fazendo nesse mês pré-festival é falando um pouquinho de cada apresentação que vai rolar na Cultura de 5ª.
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| Grupo Larvas |
terça-feira, 2 de novembro de 2010
sjo & malavrado - Barkaça - Divinéia Desvairada

Sou a mina malavrada
Também você
Risonho roedor entre ratos
dentes no ventre dos fatos
Daqueles que são puxados
Pela gravidade do ar (pesado)
exalando pelos poros da Cidade
cheia de nós, mas de olhos fechados.
Como vermes urubus ou moscas
Para planar devorar pousar sopas
Ler a linha de podridão inscrita
Na trilha de todas as mãos
O mundo imundo. O poço do fundo.
O eco do oco dentro de tudo.
Somos o Não. O prazer é nosso.
igor alves
http://www.irgocentrismos.blogspot.com/
http://anotacoesburocraticas.blogspot.com/
Salve, Salvem-se parceiros do barkaça e da divinéia desvairada! prometemos uma apresentação no mínimo perturbadora, sem prosa fiada, com diversos versos afiados. Estamos juntos nessa corrente contra a correnteza, nessa contra corrente, pra quebrar grilhões e muros e portões. Libertinagem das palavras, ainda que tardia. Esse é o ruído das Minas que queremos. E quanto mais tarde, mais próximo da manhã. Nos vemos aí, no bater de asas da alvorada. até logo!
In: http://www.barkaca.com/2010/11/sjo-e-malavrado.html
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Feras fora de Época
Folhas Amarelas
É preciso guardar vida para o inverno
e conservá-la dentro de si, dentro do só
Para se aquecer do vento do lado de cá
se esquecer do lento veneno corroendo
correndo nas veias dos presentes, passados do pó
Daí escorrer essa seiva pela ponta dos dedos d'alma
pelas linhas inscritas nas trilhas de nossas palmas
entrelaçadas, trêmulas de gelos, credos e medos
Para depois cantar em silêncio nossos coletivos segredos
E aguardar para decantar o encanto de nossos desejos
Assim seja. Será?
...
Do beco para o horizonte
Dizem que não há mais adiante, não adianta
Impera o imperialismo positivismo racionalismo
Empilhando empirismos e palpáveis ismos
A utopia a poesia a fantasia..ia.não vai mais.
O sono acabou. Acordemos. Levantemos das redes
Sociais que nos prendem a essa inação coletiva
Personagens e metáforas ainda dormem em casas
Abandonadas de palavras e frases (ainda) sem asas
Não temos a chave. E como não tenho direito ao urro
Eu uivo, e esmurro e derrubo, mesmo se não. Estuprar
o reino das palavras. Cheirar o pó estanque de suas
estantes e espirrar perversos versos na cara do horizonte
Por isso irmos, de mão em mão, ir, irmãos
Pé ante pé, pra frente do mesmo pra sempre assim
Pela imobilidade que nos resta, empunhar cadeiras
De roda moinhos e fazer café dessa fé em conserva
Nada nesse rio, é preciso.
Viver? É impreciso.
A vidachama. Espera.
Vamos juntos? Ou morreremos com ela?
...
A Pau e Pedra e Água e Falta, continuamos caminhos.
Senão por nós, pelos eus que somos juntos, em nossa desesperada espera de ser e não ser. Sozinhos.
Foto: A Dança da Esperança - Irgo Malavrado - Picinguaba/RJ - Outubro 2010.
domingo, 3 de outubro de 2010
Paralítica Política Parasita - Comício do Fim
Um dia triste, que vejo com resignação, percebendo que o Brasil, de fato, tem a situação sociopolítica que merece.
É engraçado como uma população explorada, carente de terra renda e especialmente instrução técnica e humana, se deixa reger pelas batutas azuis e vermelhas que vemos encabeçando a lista dos eleitos.
Tragicômico.
Tiriricas e Anastasias fazendo piadas de mau gosto, deixando frutos e flores futuras fenecerem antes de surgir.
Pão, circo e propaganda, muita propaganda.
Esse é o incontável segredo escondido sob incontáveis notas ganhadas pelo preço do espetáculo.
Que pagamos rindo, que comemos de volta, pelos olhos e ouvidos.
E vomitamos pela ponta dos dedos. amos, sim, pela crença (ainda) no coletivo.
Pelo produto do pó de pirlipimpim que dá realidade à fantasia discursiva que se ergue ante nosso medo, pessimismo e comodismo (eis o último grande ismo da modernaidade).
Esperança ou desilusão? Viver, talvez.
Olho-no-olho do horizonte, não pra chegar lá, mas para continuar andando (manco, mas ando).
Acreditar nas mentiras verdadeiras, e nos seus sinônimos tantos como utopia ou poesia.
Por falar em falácia:
FRAGMENTOS
1
Me quer ? Não me quer ? As mãos torcidas
os dedos
despedaçados um a um extraio
assim tira a sorte enquanto
no ar de maio
caem as pétalas das margaridas
Que a tesoura e a navalha revelem as cãs e
que a prata dos anos tinja seu perdão
penso
e espero que eu jamais alcance
a impudente idade do bom senso
2
Passa da uma
você deve estar na cama
Você talvez
sinta o mesmo no seu quarto
Não tenho pressa Para que acordar-te
com o relâmpago
de mais um telegrama
3
O mar se vai
o mar de sono se esvai
Como se diz: o caso está enterrado
a canoa do amor se quebrou no quotidiano
Estamos quites
Inútil o apanhado
da mútua dor mútua quota de dano
4
Passa de uma você deve estar na cama
À noite a Via Láctea é um Oka de prata
Não tenho pressa para que acordar-te
com relâmpago de mais um telegrama
como se diz o caso está enterrado
a canoa do amor se quebrou no quotidiano
Estamos quites inútil o apanhado
da mútua do mútua quota de dano
Vê como tudo agora emudeceu
Que tributo de estrelas a noite impôs ao céu
em horas como esta eu me ergo e converso
com os séculos a história do universo
5
Sei o puldo das palavras a sirene das palavras Não as que se aplaudem do alto dos teatros Mas as que arrancam caixões da treva e os põem a caminhar quadrúpedes de cedro Às vezes as relegam inauditas inéditas Mas a palavra galopa com a cilha tensa ressoa os séculos e os trens rastejam para lamber as mãos calosas da poesia Sei o pulso das palavras parecem fumaça Pétalas caídas sob o calcanhar da dança
Mas o homem com lábios alma carcaça.
Vladimir Maiakóvski
...
REAÇÃO
toda revolução por outras linhas na trilha
de minhas mãos
toda liberdade por um abrigo
que me guarde
todo o sonho por um sono
tranqüilo
todowtodos, por um lado que leve ao fim
dos contrários
(mas o peito, antes do pó, não fica parado)
meu eu – eu meu – nós vários
...SOLUÇO DO SOL
Tatear miragens
num deserto de imagens
inventar oásis sonoros
beber a areia viva do chão
seco – mas ainda se sente
o soluço do sal
se houver ainda algo de flor
nesse cacto
algo de pétala nessa palavra
- Flor.
...
Fome atrás dos dentes. Faca atrás das frases.
Fezes. Atrás das grades da sociedade.




