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domingo, 1 de agosto de 2010

Fim de inverno e começo de inferno letivo- vivendo ainda no mundo da rua

Voltam as aulas e toda a falta de vida decorrente das nossas práticas acadêmicas, onde procuramos, nas salas de aula do curso de Letras, quase sempre fazer um trabalho semelhante ao de alguns engenheiros florestais da UFLA que vivem para otimizar o desmatamento e cortar cortar cortar destruir destruir destruir toda a beleza do verde e do vivo. As folhas são diferentes, mas a clorofila, nem tanto. Enfim, mesmo assim, ainda tem quem plante, até sem agrotóxico.



Lançamento de livros do concurso de Poesias da UFSJ, entre outros mais. Teve vinho no final. Muito bom. O vinho. :



EM-BRIA-GA-TE!

Já dizia o Balde.

(vivendo no
Bode Lar)




Por falar em vida, um poema escrito em dia de peça mui bela do grupo galpão, e do nó na madeira do filho de João Nogueira, ainda não a altura de quem saiu da barriga de seu pai, mas fazendo um belo samba. Afinal, o poeta se deixa levar por essa magia... e o verso vem vindo e vem vindo uma melodia... e o povo começa a cantar ?



Questão de vida

mão faz mal sujar de sêmen
seus seios semânticos

Palavra
Palavra de homem

pra corromper seu hímen
só suando

Sangue
doar Sangue ao signo

sinto. sinto muito
fundo

silenciar seu grito
minha língua

minha língua na sua
nua

tentar. criar o novo
novamente

de todas as formas
em todas as formas

sugar tudo
até que não reste

nada além
de nosso mundo

num segundo
de poder. poder

pra ter
Você

para mim
o Vulto.

31/07/2010





Foto: lua - (c) sede de luz - Irgou Alves - (clique se tiver coragem)

domingo, 25 de julho de 2010

Inverno Infernal

Extra Extra Extra ordinário!

Cultura pegando fogo no inverno Sãojoanense.
(surgirá algo das cinzas?)

Ótimas experiências ao lado do pessoal do Barkaça, do Lesma, do escritor Marcelino Freire, dentre tantos outros.
Saraus, oficina com textos deliciosos Hilda Hilst Marcelino rua da Cachaça Banana em Transe Jazz Raprocknollpsicodeliahardcoreragga Teatros Igrejas bebidas e dá-lhe rua rua rua. Isso tudo sob ritos e ritmos compondo um mosaico de paisagens imaterais, bem ao clima da neblina dos sinos sinas e sinais de Sao João. Logo fotos, e já um vídeo e dois poemas, um de agora e um de antes:


Mera Matemática

Como menos com menos
dá mais

nos juntamos na espera
de tirar

alguma forma dessa
sombra

alguma lágrima desse
joelho.

Pele a pele, somar deficiencias
pelos pelos

construir nosso grande castelo
de areia

(ao menos) pra te olhar, mar
até a onda chegar

...

Diálogo Vivo ou Morto

- Tzzzzz...
- ...
- Tzzzzzzzzzzzzzzzzzzz...
- ...

- Tzz... tic.
- ...

o pouso na pele pálida é leve
a picada, certeira.

sem som sem sangue sem cera
o ouvido já não é nada além de
orelha.

o rufar das asas da mosca
preludia sua busca por vida
em outra
sopa.


(24/07 - na oficina de Marcelino Freire, a mosca pousa num cadáver)

...

Vende-se poesia de graça na rua da cachaça! é lá que você me acha, navegando em bebida e vida com a trupe de Barkaça. Aja duas vezes antes de pensar, pule do corpo, na raça, face à face,
Faça:

http://www.youtube.com/watch?v=ffHIJzSnjZE




Foto: o bilhete da mosca no quarto, por Irgou Alvez

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Céu e Inferno - Cantares

Depois de muito tempo sem dar as letras, entre diversões e depressões, tudo que perece, aparece.

Acabei hoje um artigo super bonito sobre a Hilda Hilst, que me parece, talvez, o mais bonito de poesia sob este solo brasileiro, desde de sempre. É claro que não é, e que é. E como todas as boas almas que contêm multidões, não ligo de me contradizer.

Só um trecho de poema, pra dar água na boca:

X

Como se fosse verdade encantações, poemas
Como se Aquele ouvisse arrebatado
Teus cantares de louca, as cantigas da pena.
Como se a cada noite de ti se despedisse
Com colibris na boca.
(...)
Como se fosse vão te amar e por isso perfeito.
Amar o perecível, o nada, o pó, é sempre despedir-se.
E não é Ele, o fazedor, o Artífice, o Cego
O Seguidor disso sem nome? ISSO...

O amor e sua fome.

...

Pra não ficar sem um desencanto, mando um meu, antigo, que nem gosto tanto, mas que vai sair no livro do concurso de poesias da UFSJ de 2010, sob o pseudônimo de The Marriage of Heaven and Hell :

Ritmo, dissonância

"If the doors of perception were cleansed everything would appear to man as it is, infinite."
(William Blake)

uma Poesia – fina
corre e discorre
em minas - mina
de fontes barrocas – cristalinas
segue seu curso-discurso
acompanha o trote de brisas matutinas

não obedece tratado
de-forma
di-verso
de rima
Mas como não sentir essa cadência
essa carência
essa demência
incessante nas velhas cidades?

Lira real:
Realeza natural
beleza miúda de folhas outonais
Que se dão ao v e n t o
Flu tu am
suaves
como anjos
nas catedrais.

Resvala na senzala,
vê de longe: a altivez do casarão
eleva-se ao cume da cidade
da humanidade
e só depois descansa em seu destino:
o Chão – o vão - que se vê entre linhas
para lelepípedos..

Esses Cantos tem a harmonia
dissonante
de cada canto do universo:
o vai-e-vem dos sinos
a mão-no-peito dos hinos
a ingenuidade dos meninos.
E vai, certo em linhas tortas
Renascendo em cada verso.

O poema é a lente: aumenta, inventa, revela, desbrava:
queima.

Abra seus olhos: ouça
o zumbido da vida que se levanta
entre os cadáveres da linguagem e as cinzas
que se espalham pelos poros das realidades.


...

Que este amor não me cegue nem me siga.

(...)

Que este amor só me veja de partida.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Reflexões da noite de um dia

Em uma aula vazia:


Abrir os olhos

como vidente
que emerge dum mergulho no
escuro do inconsciente

...

Céu do meio dia

Está claro
o sol queima e ilumina
como raiopoesia

...


Cesta

dormir até tão tarde
que o sono só seja sonho
a vida - apenas arte

...


A noite e seus dilemas

o vinho queima
como se guardado no
carvalho dum poema

...


Luto

Entre o destino e o acaso
como se negra noite e diáfano dia
negassem o transe do ocaso

...


Sonho colorido

pintar as quimeras
da madrugada - na aquarela
da alvorada


...

É complicado se estreitar entre os corredores cheios de poeira da pretensa univer sidade, especialmente quando se quer vida, ou algo além do que está. Pensamentos sendo corroídos por lite ratos e burrocracias, num coletivo olhar para o umbigo, numa constante ação entre amigos, esperando a hora do bote. Uma orgia de egos. O saldo colhido: mil traços e símbolos - levando consido areia cinza e pó do que podia ter sido e só soube sangrar o vivo ainda não nascido.

Enfim: isso.

Prossigo

na mesma perdição de sempre
em todos os sentidos
e sentimentos...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Tenso, logo existo



O homem é uma corda estendida entre o animal e o além-do-homem, já dizia o bigode.

E se assim for, nós, sujeitos e predicados dessa roda gigante chamada mundo, estamos sujeitos - sujeitados - à Tensão, com maiúscula de tanta propriedade do substantivo.

É o estar no nemlánemcá, nonada, no meio do rodamoinho. E cá estamos, cara a tapa, esperando e passando. Sem desespero. Chega um tempo em que não se diz mais: Meu Deus. Boa semana Santa a todos.

Alta Tensão
...que as coisas sigam seu curso, eis a catástrofe. (Walter Benjamin)

I

dentre
a essência e a ciência
pairo

entre
a tekné e o tato
paro e

penso
sobre tudo
errado

há senso
no ventre de tantos
contrários?

II

(o ser, ou o não ser)

Se sente
denso - se sabe
vários

Em meio
ao som - o silêncio
tácito

Vagando
em vácuo e átomo
o espaço

lança seu grito
(desesperadamente)
calado



III


(a questão)

em matéria
de espírito
cínico

sob o espírito
da matéria
trágico


...

A vida apenas, sem mistificação.

Pic: Explosão de sentimento, por V. Tobias.



domingo, 21 de março de 2010

A poesia não se faz com versos

Começo pelo fim, sem poema, mas com a poesia sendo movimentada, a poeira sendo sacudida, e se cuide quem tiver alergia:

Parabéns para o pessoal que movimenta uma cena tão parada (quase congelada) que é a de Lavras e região.
É a www.revistasantodecasa.com.br .
Um espaço que se propõe a fazer uma verdadeira re-vista, para vislumbrar o que há de bom em termos de música, poesia, fotografia etc.. Enfim, cultura, enquadrada num espaço de extremo profissionalismo e seriedade, mas sem perder o gingado. Valeu ao pessoal do coletivo Matula Sonora: www.matulasonora.blogspot.com , e aos demais que tentam acrescentar ao demenos que vemos. Que a chama continue acesa, e chamando cada vez mais gente, até a fogueira (e a fumaça) ser geral.

Por falar em ser contra a pasmaceira cultural, já pulo para o Barkaça. Ali, diretamente da Divinéia Disvairada, emergiram pessoas tentando ajudar outras (e a si), convidando à poesia, chamando à ironia, gritando à vida, e a todos os sonolentos acomodados nesse mar de lama cultural e existencial nas nossas minas banais. Sem floreios, é o grito da juventudade viva, que quer ser ouvida, que quer reticências, pra não deixar nenhum ponto final pra finalizar alguma vontade que reste...
Enfim, confiram: www.barkaca.blogspot.com . Escriteiros de plantão, colaborem, divulguem, deêm as mãos. Ou pelo mundo ou por nós, pelos nós que ainda não desataram os laços.

E por falar em coragem, uma fresta aberta ao meu companheiro de trocadilhos espartilhos e artefatos etílicos, Vinícius Tobias, vulgo 'Murdok'. Ele manufaturou seu primeiro livreto chamado Raparam a panela e agora estou com fome!, misto de algumas fotografias desoladas, poemas curtos isolantes e outros escritos sobre a fome enquanto desejo, enquanto raiva: mix de ironia descontrução e insatisfação. Sobre os pingos faltando nos is. Tudo num projeto conciso, em que é possível entrever o zelo do autor em colocar cada canto no seu canto, cada tampa sobre o vazio de sua panela. O chão é arido, mas cozinhamos o ar, se precisar. Segue o insight:

Desenho da capa: Philippe Campos, Vulgo PH - o grande putatalho.



(Clique na imagem para vê-la ampliada)



















- Um Martini por favor!

O que se segue sim senhor
Aquelas vozes imperativas na cabeça
Seja! Seja! Seja!
obedece e não é mais
Joaquim ainda gosta da idéia
mas prefere seu gosto pelo bar
Ave Maria é uma ave longínqua
não ouve os prantos das mulheres que choram
Ave Maria pra mamãe apanhar!

Eu sou daqueles que ainda pensam que olhos
arregalados podem salvar o mundo, mas o bruto
do inimigo ainda vence, pelo gaguejar da fêmea
humilhada na sala de jantar

-mas ao Domingo na adoração da salve rainha,
sua puta, faça-me o favor de maquiar esses
roxos que você causou!

...


A Cura

esconde embaixo do morro
e foge no topo do mundo
impostor em medicina
foi ao sol e não voltou
dizem que agora é luz

ver Jesus na rua
não é sinal de loucura
fazer a mesma coisa mil vezes é

todo mal
é culpa dos ponto final

e nós estamos muito preocupados
em estocar medicamentos
entulhando-os em nossa casa
simples cães abrindo
a lambidas a ferida
o buraco rompeu a pele
a carne, os tendões e os ossos
agora lambemos a alma

e destruí-la é o que menos dói








(Clique na imagem se tiver coragem)
















Degeneração


Eu canto como os que choram
e como aqueles que cantam
eu canto aqueles que choram e
[depois como-os
eu vou até o fim e depois volto a fita
renovo meu afoito com uma birita!

...

Aproveito as divulgações pra falar da quinta cultural, no CTAN:
www.5cultural.blogspot.com/
Cultura de quinta, no melhor dos sentido. Livre, toda semana.

Assim sendo, seja:

Continuemos, nada no bolso e nas mãos...

Quem não arrisca não pode berrar.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Menos pá e mais pó.

Aqui e agora, menos palavras e mais poemas. Mas a poesia não é feita de palavras, rapaz? você me pergunta. Não, não é; te respondo, pondo verso sob verso, sobre viva, sobre verso:

Pré sentimento

"Sempre evitei falar de mim,
falar-me. Quis falar de coisas.
Mas na seleção dessas coisas
não haverá um falar de mim?"
-João Cabral de Melo Neto

Preciso de algo.

ninguém
que me
apresente
a alguém
como eu.

Mas me
reapresente
represente
para algo
além ou
aquém.
daqui.

alguémninguém
olhos vendados
e abertos
para o túnel
no fim da luz.

...

Só crateras

desconhece-te
a ti mesmo.
O ditato

me edita

me dita
medita.

...

Beijo e vinho

rir do começo ao fim
ir do começo ao fim

entre eros e
acertos.

...


Caminhante soturno, seguindo o nada a nado e cantando um tantão. Procurando uma quimera químiqueira, vulgo vulgarmente vagando (em) paraísos artificiais. São ossos do ofício. Fogos do artifício. Isso isso isso.

Ainda ando, e me e te pergunto: O mundo é grande, ou é pequeno e dá voltas demais?

Com muito ou pouco prazer, contando o conto que for.
Contanto, no meio de tanta coisa, coiso. E saiu agora:

Vamos vendo
até onde
for

vamos vento
até onde
flor.

Lavamos nós?..