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terça-feira, 2 de novembro de 2010

sjo & malavrado - Barkaça - Divinéia Desvairada


"não é o Sá & Guarabyra! piadas à parte, trata-se de vinícius tobias e igor alves, netos de torquato. donos de vozes e presenças marcantes, conhecedores do que de melhor e mais sangrento fez a poesia da margem, nos turbulentos negros verdes anos 70. igor alves é poeta de cabelo e tudo, graduando em letras para entender o perigo em que está envolvido, ministra oficinas de poesia e canções. vinícius tobias é jovem revoltado, graduando em jornalismo para conhecer o inimigo antes de destruí-lo, é autor do zine "raparam a panela e agora estou com fome". parceiros desde o início da vida de verdade, estes dois poetas de Lavras (MG) sempre atuaram separadamente na militância literária. resta agora trocar o Sjo pelo Malavrado, performance que apresentam pela primeira vez na vida e/ou na morte. dá-lhe!"

*Sjo e Malavrado será apresentado sexta, dia 5 de novembro nA CASA arte e cultura divinópolis (rua itapecerica 1414, esquina com piauí) 5 reais + 1 kg de alimento, em evento que começa às 19 horas, dentro da programação oficial da 3ª Maratona BARKAÇA. Programação completa na imagem abaixo.

***

Eu sou seu João sujo
E você também


Sou a mina malavrada

Também você


Risonho roedor entre ratos

dentes no ventre dos fatos


Daqueles que são puxados

Pela gravidade do ar (pesado)


exalando pelos poros da Cidade

cheia de nós, mas de olhos fechados.


Como vermes urubus ou moscas

Para planar devorar pousar sopas


Ler a linha de podridão inscrita

Na trilha de todas as mãos


O mundo imundo. O poço do fundo.

O eco do oco dentro de tudo.


Somos o Não. O prazer é nosso.


igor alves


http://www.irgocentrismos.blogspot.com/

http://anotacoesburocraticas.blogspot.com/


Salve, Salvem-se parceiros do barkaça e da divinéia desvairada! prometemos uma apresentação no mínimo perturbadora, sem prosa fiada, com diversos versos afiados. Estamos juntos nessa corrente contra a correnteza, nessa contra corrente, pra quebrar grilhões e muros e portões. Libertinagem das palavras, ainda que tardia. Esse é o ruído das Minas que queremos. E quanto mais tarde, mais próximo da manhã. Nos vemos aí, no bater de asas da alvorada. até logo!


In: http://www.barkaca.com/2010/11/sjo-e-malavrado.html

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Feras fora de Época

Tive um bom tempo, semana passada, pra encher a cuca da nada, nadando no mar e em rios. É bom sair do de sempre, e facilita a fuga do esmo de si. Mas agora, de volta às voltas e voltas paradas em torno de si e do mesmo. Com algumas memórias e poemas a mais, ainda molhadas do doce do mar.


Folhas Amarelas

É preciso guardar vida para o inverno
e conservá-la dentro de si, dentro do só

Para se aquecer do vento do lado de cá
se esquecer do lento veneno corroendo

correndo nas veias dos presentes, passados do pó
Daí escorrer essa seiva pela ponta dos dedos d'alma

pelas linhas inscritas nas trilhas de nossas palmas
entrelaçadas, trêmulas de gelos, credos e medos

Para depois cantar em silêncio nossos coletivos segredos
E aguardar para decantar o encanto de nossos desejos

Assim seja. Será?

...

Do beco para o horizonte

Dizem que não há mais adiante, não adianta
Impera o imperialismo positivismo racionalismo
Empilhando empirismos e palpáveis ismos
A utopia a poesia a fantasia..ia.não vai mais.

O sono acabou. Acordemos. Levantemos das redes
Sociais que nos prendem a essa inação coletiva
Personagens e metáforas ainda dormem em casas
Abandonadas de palavras e frases (ainda) sem asas

Não temos a chave. E como não tenho direito ao urro
Eu uivo, e esmurro e derrubo, mesmo se não. Estuprar
o reino das palavras. Cheirar o pó estanque de suas
estantes e espirrar perversos versos na cara do horizonte

Por isso irmos, de mão em mão, ir, irmãos
Pé ante pé, pra frente do mesmo pra sempre assim
Pela imobilidade que nos resta, empunhar cadeiras
De roda moinhos e fazer café dessa fé em conserva

Nada nesse rio, é preciso.

Viver? É impreciso.
A vidachama. Espera.

Vamos juntos? Ou morreremos com ela?

...

A Pau e Pedra e Água e Falta, continuamos caminhos.

Senão por nós, pelos eus que somos juntos, em nossa desesperada espera de ser e não ser. Sozinhos.






Foto: A Dança da Esperança - Irgo Malavrado - Picinguaba/RJ - Outubro 2010.

domingo, 3 de outubro de 2010

Paralítica Política Parasita - Comício do Fim

O Jardim da Política Brasileira: eis o solo infértil que servirá de base para os rabiscos nessa areia de binômios e píxels e outros grãos mais que significam os contornos luminosos frente à nossa fronte.
Um dia triste, que vejo com resignação, percebendo que o Brasil, de fato, tem a situação sociopolítica que merece.
É engraçado como uma população explorada, carente de terra renda e especialmente instrução técnica e humana, se deixa reger pelas batutas azuis e vermelhas que vemos encabeçando a lista dos eleitos.
Tragicômico.
Tiriricas e Anastasias fazendo piadas de mau gosto, deixando frutos e flores futuras fenecerem antes de surgir.
Pão, circo e propaganda, muita propaganda.
Esse é o incontável segredo escondido sob incontáveis notas ganhadas pelo preço do espetáculo.
Que pagamos rindo, que comemos de volta, pelos olhos e ouvidos.
E vomitamos pela ponta dos dedos. amos, sim, pela crença (ainda) no coletivo.
Pelo produto do pó de pirlipimpim que dá realidade à fantasia discursiva que se ergue ante nosso medo, pessimismo e comodismo (eis o último grande ismo da modernaidade).

Esperança ou desilusão? Viver, talvez.
Olho-no-olho do horizonte, não pra chegar lá, mas para continuar andando (manco, mas ando).
Acreditar nas mentiras verdadeiras, e nos seus sinônimos tantos como utopia ou poesia.

Por falar em falácia:

FRAGMENTOS

1

Me quer ? Não me quer ? As mãos torcidas
os dedos
despedaçados um a um extraio
assim tira a sorte enquanto

no ar de maio
caem as pétalas das margaridas
Que a tesoura e a navalha revelem as cãs e
que a prata dos anos tinja seu perdão
penso
e espero que eu jamais alcance
a impudente idade do bom s
enso

2

Passa da uma
você deve estar na cama
Você talvez
sinta o mesmo no seu quart
o
Não tenho pressa Para que acordar-te
com o relâmpago
de mais um telegrama

3

O mar se vai
o mar de sono se esvai
Como se diz: o caso está enterrado

a canoa do amor se quebrou no quotidiano
Estamos quites
Inútil o apanhado
da mútua dor mútua quota de dano

4

Passa de uma você deve estar na cama
À noite a Via Láctea é um Oka de prata
Não tenho pressa para que acordar-te
com relâmpago de mais um telegrama
como se diz o caso está enterrado
a canoa do amor se quebrou no quotidiano
Estamos quites inútil o apanhado
da mútua do mútua quota de dano
Vê como tudo agora emudeceu
Que tributo de estrelas a noite impôs ao céu
em horas como esta eu me ergo e converso
com os séculos a história do universo

5

Sei o puldo das palavras a sirene das palavras Não as que se aplaudem do alto dos teatros Mas as que arrancam caixões da treva e os põem a caminhar quadrúpedes de cedro Às vezes as relegam inauditas inéditas Mas a palavra galopa com a cilha tensa ressoa os séculos e os trens rastejam para lamber as mãos calosas da poesia Sei o pulso das palavras parecem fumaça Pétalas caídas sob o calcanhar da dança
Mas o homem com lábios alma carcaça.


Vladimir Maiakóvski

...

REAÇÃO


toda revolução por outras linhas na trilha

de minhas mãos


toda liberdade por um abrigo

que me guarde


todo o sonho por um sono

tranqüilo


todowtodos, por um lado que leve ao fim

dos contrários


(mas o peito, antes do pó, não fica parado)

meu eu – eu meu – nós vários

...

SOLUÇO DO SOL


Tatear miragens

num deserto de imagens


inventar oásis sonoros

beber a areia viva do chão


seco – mas ainda se sente

o soluço do sal


se houver ainda algo de flor

nesse cacto


algo de pétala nessa palavra

- Flor.

...


Fome atrás dos dentes. Faca atrás das frases.

Fezes. Atrás das grades da sociedade.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Desfiar o desafio do texto

Não posso crer nem escrever muito num post do fundo do poço, feito em pele sobre osso.
Pra não falar que não falei pouco, e disse muito menos, uns escritos roucos, pé-anti-pétala:


São Jão deu rock

Cidade do sin
Cidade do sono
Cidade de insanos anos

...

São João deu rock para o futuro

Cidade do
sin
Cidade do sonho
Saudade dos insanos anos

...

Halo

Ralo

...

Entre 4.000 paredes

I. Atraso

por incompatibilidade
entre o ser
e o Tempo

II. Descaso

por afinidade
entre o ser
e o Nada

...

Crucificado
-!-


cruzo
os braços

...


"O texto é um mecanismo preguiçoso (ou econômico) que vive da valorização de sentido que o destinatário ali introduziu."
(Umberto Eco)







Foto: cruz credo chia cheia de charme chama luz chama chamas - desfoto cem focos. Por: Mim Mesmo

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Lavras: a Alvorada Bate Asas

O bom filho à casa retorna. E os mauss também.

Hoje, eu e Lucas Porco, amigo e parceiro querido que já viajou tantas canções comigo e ainda há tantas a viajar, conduzimos uma aula show no CNEC, nossa escola Natal, intitulada A Letra da Música e a Música da Letra: um passeio pela poesia e canção brasileira.
Entre abraços e sorrisos de reencontro, hormônios lutanto contra a quietude dos terceiranos, poemas, músicas, sistema e vida, a aula foi um espetáculo, acho. O sonho valeu o sono, sinto.
E ainda num palco que a uns seis anos atrás interpretei Álvarez de Azevedo, junto dum mesmo Pig Violeiro, ainda iniciantes nesse mundão de notas e prosas, de tantas noites e tantas tavernas e tantas cavernas e mundo das ideias.
Ironias, ou descaso do acaso.
Um caso a se pensar: levar esses sons e signos pra outras bandas e outros cantos. Quem sabe?

Pra não perder a viagem, vou, voô:


Dia da Criação


I


Vingar o Verso

Até que o Verbo

Se faça Carne


...

II

a letra ilumine
a água em lágrima
a imagem, em paisagem

...


Retrato Falado


faro de tato

pele de pelo

língua de sapo


vi meio torto

meio vil

meio vivo

meio morto


machucado

saía sangue

das palavras


olhos abertos

ao gosto do vento

pupilas do olvido

dilatadas


não sei se corria

atrás ou à frente

de seu tempo


plantou folhas

no chão

como se

semente


e foi-se embora

sem forma

faca entredentes.


Tal vez só

um sonho

perigoso


um poema de pernas

- correndo das grades

das letras das frases -

livre dos livros: à liberdade.


...

E prosseguimos. Libertinagem, ainda que tardia.

Foto: Proibido parar na rua. Estacione na lua, por Irgou dos Santíssimos Alvarez

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

contando um canto ou dois

Depois de comer bastante, a gente põe pra fora, histórias, cólera, biles, bosta .

Aí (aqui?) algo entre o conto e o canto, ainda assoviando algo dos menores contos do mundo:



Maria Fumaça e Zé Cachaça

Viviam uma vida de bem viver.
Até que Zé se cansou dos pitos e apitos de Maria
E ela do cambalear comportamental de Zé

Então, decidiram dá um jeito nesse trem
Alugaram fumaça e cachaça pra turista ver
(Uai, quê que têm? Qué vê? Paga pra vê!)

Só dispois
Subiram a serra
E foram plantá fejão.


...


Conto de Fralda

era uma vez, Eros
o lado de fora
do amor

tão belo e tão cego
ele erra, uma vez
ou mais

mas vai e,
de tanto Ir
volta

e daí,
viva!
vida.


...



Foto: O Prato e o Fátuo Fogo em Frente ao Quarto - por Irg-ou-não .


Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro - e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco. É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data. Então dizer mentalmente ah!, escrever tanto de tanto de mil novecentos e tanto e ir em frente. Este é um ponto importante: ir, sobretudo, em frente.


Caio Fernando de Abreu

domingo, 1 de agosto de 2010

Fim de inverno e começo de inferno letivo- vivendo ainda no mundo da rua

Voltam as aulas e toda a falta de vida decorrente das nossas práticas acadêmicas, onde procuramos, nas salas de aula do curso de Letras, quase sempre fazer um trabalho semelhante ao de alguns engenheiros florestais da UFLA que vivem para otimizar o desmatamento e cortar cortar cortar destruir destruir destruir toda a beleza do verde e do vivo. As folhas são diferentes, mas a clorofila, nem tanto. Enfim, mesmo assim, ainda tem quem plante, até sem agrotóxico.



Lançamento de livros do concurso de Poesias da UFSJ, entre outros mais. Teve vinho no final. Muito bom. O vinho. :



EM-BRIA-GA-TE!

Já dizia o Balde.

(vivendo no
Bode Lar)




Por falar em vida, um poema escrito em dia de peça mui bela do grupo galpão, e do nó na madeira do filho de João Nogueira, ainda não a altura de quem saiu da barriga de seu pai, mas fazendo um belo samba. Afinal, o poeta se deixa levar por essa magia... e o verso vem vindo e vem vindo uma melodia... e o povo começa a cantar ?



Questão de vida

mão faz mal sujar de sêmen
seus seios semânticos

Palavra
Palavra de homem

pra corromper seu hímen
só suando

Sangue
doar Sangue ao signo

sinto. sinto muito
fundo

silenciar seu grito
minha língua

minha língua na sua
nua

tentar. criar o novo
novamente

de todas as formas
em todas as formas

sugar tudo
até que não reste

nada além
de nosso mundo

num segundo
de poder. poder

pra ter
Você

para mim
o Vulto.

31/07/2010





Foto: lua - (c) sede de luz - Irgou Alves - (clique se tiver coragem)