Não posso crer nem escrever muito num post do fundo do poço, feito em pele sobre osso. Pra não falar que não falei pouco, e disse muito menos, uns escritos roucos, pé-anti-pétala:
São Jão deu rock
Cidade do sin Cidade do sono Cidade de insanos anos
...
São João deu rock para o futuro
Cidade do sin Cidade do sonho Saudade dos insanos anos
...
Halo
Ralo
...
Entre 4.000 paredes
I. Atraso
por incompatibilidade entre o ser e o Tempo
II. Descaso
por afinidade entre o ser e o Nada
...
Crucificado -!-
cruzo os braços
...
"O texto é um mecanismo preguiçoso (ou econômico) que vive da valorização de sentido que o destinatário ali introduziu." (Umberto Eco)
Foto: cruz credo chia cheia de charme chama luz chama chamas - desfoto cem focos. Por: Mim Mesmo
Hoje, eu e Lucas Porco, amigo e parceiro querido que já viajou tantas canções comigo e ainda há tantas a viajar, conduzimos uma aula show no CNEC, nossa escola Natal, intitulada A Letra da Música e a Música da Letra: um passeio pela poesia e canção brasileira.
Entre abraços e sorrisos de reencontro, hormônios lutanto contra a quietude dos terceiranos, poemas, músicas, sistema e vida, a aula foi um espetáculo, acho. O sonho valeu o sono, sinto.
E ainda num palco que a uns seis anos atrás interpretei Álvarez de Azevedo, junto dum mesmo Pig Violeiro, ainda iniciantes nesse mundão de notas e prosas, de tantas noites e tantas tavernas e tantas cavernas e mundo das ideias.
Ironias, ou descaso do acaso.
Um caso a se pensar: levar esses sons e signos pra outras bandas e outros cantos. Quem sabe?
Pra não perder a viagem, vou, voô:
Dia da Criação
I
Vingar o Verso
Até que o Verbo
Se faça Carne
...
II
a letra ilumine
a água em lágrima
a imagem, em paisagem
...
Retrato Falado
faro de tato
pele de pelo
língua de sapo
vi meio torto
meio vil
meio vivo
meio morto
machucado
saía sangue
das palavras
olhos abertos
ao gosto do vento
pupilas do olvido
dilatadas
não sei se corria
atrás ou à frente
de seu tempo
plantou folhas
no chão
como se
semente
e foi-se embora
sem forma
faca entredentes.
Tal vez só
um sonho
perigoso
um poema de pernas
- correndo das grades
das letras das frases -
livre dos livros:à liberdade.
...
E prosseguimos. Libertinagem, ainda que tardia.
Foto: Proibido parar na rua. Estacione na lua, por Irgou dos Santíssimos Alvarez
Depois de comer bastante, a gente põe pra fora, histórias, cólera, biles, bosta .
Aí (aqui?) algo entre o conto e o canto, ainda assoviando algo dos menores contos do mundo:
Maria Fumaça e Zé Cachaça
Viviam uma vida de bem viver. Até que Zé se cansou dos pitos e apitos de Maria E ela do cambalear comportamental de Zé
Então, decidiram dá um jeito nesse trem Alugaram fumaça e cachaça pra turista ver (Uai, quê que têm? Qué vê? Paga pra vê!)
Só dispois Subiram a serra E foram plantá fejão.
...
Conto de Fralda
era uma vez, Eros o lado de fora do amor
tão belo e tão cego ele erra, uma vez ou mais
mas vai e, de tanto Ir volta
e daí, viva! vida.
...
Foto: O Prato e o Fátuo Fogo em Frente ao Quarto - por Irg-ou-não .
Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro - e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco. É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data. Então dizer mentalmente ah!, escrever tanto de tanto de mil novecentos e tanto e ir em frente. Este é um ponto importante: ir, sobretudo, em frente.
Voltam as aulas e toda a falta de vida decorrente das nossas práticas acadêmicas, onde procuramos, nas salas de aula do curso de Letras, quase sempre fazer um trabalho semelhante ao de alguns engenheiros florestais da UFLA que vivem para otimizar o desmatamento e cortar cortar cortar destruir destruir destruir toda a beleza do verde e do vivo. As folhas são diferentes, mas a clorofila, nem tanto. Enfim, mesmo assim, ainda tem quem plante, até sem agrotóxico.
Lançamento de livros do concurso de Poesias da UFSJ, entre outros mais. Teve vinho no final. Muito bom. O vinho. :
EM-BRIA-GA-TE!
Já dizia o Balde.
(vivendo no Bode Lar)
Por falar em vida, um poema escrito em dia de peça mui bela do grupo galpão, e do nó na madeira do filho de João Nogueira, ainda não a altura de quem saiu da barriga de seu pai, mas fazendo um belo samba. Afinal, o poeta se deixa levar por essa magia... e o verso vem vindo e vem vindo uma melodia... e o povo começa a cantar ?
Questão de vida
mão faz mal sujar de sêmen seus seios semânticos
Palavra Palavra de homem
pra corromper seu hímen só suando
Sangue doar Sangue ao signo
sinto. sinto muito fundo
silenciar seu grito minha língua
minha língua na sua nua
tentar. criar o novo novamente
de todas as formas em todas as formas
sugar tudo até que não reste
nada além de nosso mundo
num segundo de poder. poder
pra ter Você
para mim o Vulto.
31/07/2010
Foto: lua - (c) sede de luz - Irgou Alves - (clique se tiver coragem)
Cultura pegando fogo no inverno Sãojoanense. (surgirá algo das cinzas?)
Ótimas experiências ao lado do pessoal do Barkaça, do Lesma, do escritor Marcelino Freire, dentre tantos outros. Saraus, oficina com textos deliciosos Hilda Hilst Marcelino rua da Cachaça Banana em Transe Jazz Raprocknollpsicodeliahardcoreragga Teatros Igrejas bebidas e dá-lhe rua rua rua. Isso tudo sob ritos e ritmos compondo um mosaico de paisagens imaterais, bem ao clima da neblina dos sinos sinas e sinais de Sao João. Logo fotos, e já um vídeo e dois poemas, um de agora e um de antes:
sem som sem sangue sem cera o ouvido já não é nada além de orelha.
o rufar das asas da mosca preludia sua busca por vida em outra sopa.
(24/07 - na oficina de Marcelino Freire, a mosca pousa num cadáver)
...
Vende-se poesia de graça na rua da cachaça! é lá que você me acha, navegando em bebida e vida com a trupe de Barkaça. Aja duas vezes antes de pensar, pule do corpo, na raça, face à face, Faça:
Depois de muito tempo sem dar as letras, entre diversões e depressões, tudo que perece, aparece.
Acabei hoje um artigo super bonito sobre a Hilda Hilst, que me parece, talvez, o mais bonito de poesia sob este solo brasileiro, desde de sempre. É claro que não é, e que é. E como todas as boas almas que contêm multidões, não ligo de me contradizer.
Só um trecho de poema, pra dar água na boca:
X
Como se fosse verdade encantações, poemas Como se Aquele ouvisse arrebatado Teus cantares de louca, as cantigas da pena. Como se a cada noite de ti se despedisse Com colibris na boca. (...) Como se fosse vão te amar e por isso perfeito. Amar o perecível, o nada, o pó, é sempre despedir-se. E não é Ele, o fazedor, o Artífice, o Cego O Seguidor disso sem nome? ISSO...
O amor e sua fome.
...
Pra não ficar sem um desencanto, mando um meu, antigo, que nem gosto tanto, mas que vai sair no livro do concurso de poesias da UFSJ de 2010, sob o pseudônimo de The Marriage of Heaven and Hell :
Ritmo, dissonância
"If the doors of perception were cleansed everything would appear to man as it is, infinite." (William Blake)
uma Poesia – fina corre e discorre em minas - mina de fontes barrocas – cristalinas segue seu curso-discurso acompanha o trote de brisas matutinas
não obedece tratado de-forma di-verso de rima Mas como não sentir essa cadência essa carência essa demência incessante nas velhas cidades?
Lira real: Realeza natural beleza miúda de folhas outonais Que se dão ao v e n t o Flu tu am suaves como anjos nas catedrais.
Resvala na senzala, vê de longe: a altivez do casarão eleva-se ao cume da cidade da humanidade e só depois descansa em seu destino: o Chão – o vão - que se vê entre linhas para lelepípedos..
Esses Cantos tem a harmonia dissonante de cada canto do universo: o vai-e-vem dos sinos a mão-no-peito dos hinos a ingenuidade dos meninos. E vai, certo em linhas tortas Renascendo em cada verso.
O poema é a lente: aumenta, inventa, revela, desbrava: queima.
Abra seus olhos: ouça o zumbido da vida que se levanta entre os cadáveres da linguagem e as cinzas que se espalham pelos poros das realidades.
como vidente que emerge dum mergulho no escuro do inconsciente
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Céu do meio dia
Está claro o sol queima e ilumina como raiopoesia
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Cesta
dormir até tão tarde que o sono só seja sonho a vida - apenas arte
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A noite e seus dilemas
o vinho queima como se guardado no carvalho dum poema
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Luto
Entre o destino e o acaso como se negra noite e diáfano dia negassem o transe do ocaso
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Sonho colorido
pintar as quimeras da madrugada - na aquarela da alvorada
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É complicado se estreitar entre os corredores cheios de poeira da pretensa univer sidade, especialmente quando se quer vida, ou algo além do que está. Pensamentos sendo corroídos por lite ratos e burrocracias, num coletivo olhar para o umbigo, numa constante ação entre amigos, esperando a hora do bote. Uma orgia de egos. O saldo colhido: mil traços e símbolos - levando consido areia cinza e pó do que podia ter sido e só soube sangrar o vivo ainda não nascido.
Enfim: isso.
Prossigo
na mesma perdição de sempre em todos os sentidos e sentimentos...
Cansado de arquivar desvãos só em orkuts agendas líquidos e sons. Aqui: gaveta virtual para escritos meus, de terceiros, segundos ou primeiros.
Parte daqui para o mundo; como tudo. Quase tudo. Bom apetite.