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domingo, 21 de março de 2010

A poesia não se faz com versos

Começo pelo fim, sem poema, mas com a poesia sendo movimentada, a poeira sendo sacudida, e se cuide quem tiver alergia:

Parabéns para o pessoal que movimenta uma cena tão parada (quase congelada) que é a de Lavras e região.
É a www.revistasantodecasa.com.br .
Um espaço que se propõe a fazer uma verdadeira re-vista, para vislumbrar o que há de bom em termos de música, poesia, fotografia etc.. Enfim, cultura, enquadrada num espaço de extremo profissionalismo e seriedade, mas sem perder o gingado. Valeu ao pessoal do coletivo Matula Sonora: www.matulasonora.blogspot.com , e aos demais que tentam acrescentar ao demenos que vemos. Que a chama continue acesa, e chamando cada vez mais gente, até a fogueira (e a fumaça) ser geral.

Por falar em ser contra a pasmaceira cultural, já pulo para o Barkaça. Ali, diretamente da Divinéia Disvairada, emergiram pessoas tentando ajudar outras (e a si), convidando à poesia, chamando à ironia, gritando à vida, e a todos os sonolentos acomodados nesse mar de lama cultural e existencial nas nossas minas banais. Sem floreios, é o grito da juventudade viva, que quer ser ouvida, que quer reticências, pra não deixar nenhum ponto final pra finalizar alguma vontade que reste...
Enfim, confiram: www.barkaca.blogspot.com . Escriteiros de plantão, colaborem, divulguem, deêm as mãos. Ou pelo mundo ou por nós, pelos nós que ainda não desataram os laços.

E por falar em coragem, uma fresta aberta ao meu companheiro de trocadilhos espartilhos e artefatos etílicos, Vinícius Tobias, vulgo 'Murdok'. Ele manufaturou seu primeiro livreto chamado Raparam a panela e agora estou com fome!, misto de algumas fotografias desoladas, poemas curtos isolantes e outros escritos sobre a fome enquanto desejo, enquanto raiva: mix de ironia descontrução e insatisfação. Sobre os pingos faltando nos is. Tudo num projeto conciso, em que é possível entrever o zelo do autor em colocar cada canto no seu canto, cada tampa sobre o vazio de sua panela. O chão é arido, mas cozinhamos o ar, se precisar. Segue o insight:

Desenho da capa: Philippe Campos, Vulgo PH - o grande putatalho.



(Clique na imagem para vê-la ampliada)



















- Um Martini por favor!

O que se segue sim senhor
Aquelas vozes imperativas na cabeça
Seja! Seja! Seja!
obedece e não é mais
Joaquim ainda gosta da idéia
mas prefere seu gosto pelo bar
Ave Maria é uma ave longínqua
não ouve os prantos das mulheres que choram
Ave Maria pra mamãe apanhar!

Eu sou daqueles que ainda pensam que olhos
arregalados podem salvar o mundo, mas o bruto
do inimigo ainda vence, pelo gaguejar da fêmea
humilhada na sala de jantar

-mas ao Domingo na adoração da salve rainha,
sua puta, faça-me o favor de maquiar esses
roxos que você causou!

...


A Cura

esconde embaixo do morro
e foge no topo do mundo
impostor em medicina
foi ao sol e não voltou
dizem que agora é luz

ver Jesus na rua
não é sinal de loucura
fazer a mesma coisa mil vezes é

todo mal
é culpa dos ponto final

e nós estamos muito preocupados
em estocar medicamentos
entulhando-os em nossa casa
simples cães abrindo
a lambidas a ferida
o buraco rompeu a pele
a carne, os tendões e os ossos
agora lambemos a alma

e destruí-la é o que menos dói








(Clique na imagem se tiver coragem)
















Degeneração


Eu canto como os que choram
e como aqueles que cantam
eu canto aqueles que choram e
[depois como-os
eu vou até o fim e depois volto a fita
renovo meu afoito com uma birita!

...

Aproveito as divulgações pra falar da quinta cultural, no CTAN:
www.5cultural.blogspot.com/
Cultura de quinta, no melhor dos sentido. Livre, toda semana.

Assim sendo, seja:

Continuemos, nada no bolso e nas mãos...

Quem não arrisca não pode berrar.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Menos pá e mais pó.

Aqui e agora, menos palavras e mais poemas. Mas a poesia não é feita de palavras, rapaz? você me pergunta. Não, não é; te respondo, pondo verso sob verso, sobre viva, sobre verso:

Pré sentimento

"Sempre evitei falar de mim,
falar-me. Quis falar de coisas.
Mas na seleção dessas coisas
não haverá um falar de mim?"
-João Cabral de Melo Neto

Preciso de algo.

ninguém
que me
apresente
a alguém
como eu.

Mas me
reapresente
represente
para algo
além ou
aquém.
daqui.

alguémninguém
olhos vendados
e abertos
para o túnel
no fim da luz.

...

Só crateras

desconhece-te
a ti mesmo.
O ditato

me edita

me dita
medita.

...

Beijo e vinho

rir do começo ao fim
ir do começo ao fim

entre eros e
acertos.

...


Caminhante soturno, seguindo o nada a nado e cantando um tantão. Procurando uma quimera químiqueira, vulgo vulgarmente vagando (em) paraísos artificiais. São ossos do ofício. Fogos do artifício. Isso isso isso.

Ainda ando, e me e te pergunto: O mundo é grande, ou é pequeno e dá voltas demais?

Com muito ou pouco prazer, contando o conto que for.
Contanto, no meio de tanta coisa, coiso. E saiu agora:

Vamos vendo
até onde
for

vamos vento
até onde
flor.

Lavamos nós?..

domingo, 31 de janeiro de 2010

Divagar e sempre - mostra de cinema - tiradentes

Todos se mostram na mostra. Muito se ouve, pouco se vê. Nada só contra ou a favor (de cima do muro se vê mais longe?) : só posso dizer que vejam, quem tem olhos para ver. Tudo lá foi gratuito. E olha que isso tem um fundo bem em-baixo. Sem general izações, penso que há de se pensar, ao menos, com quantos paus se faz uma tenda em tiradentes. E para quem, essa canoa, cara pálida?
Bom que, entre di-versões e amizades, companhias e possibilidades de encontro, sempre há um espaço para o acaso cumprir seu destino.

Penso logo insisto, penso que resisto, penso que penso o que penso que penso; canto enquanto isso:


Pre-ferir

a Seiva à selva
o Branco à tinta
o Entre, à linha

...

Contigo, cantiga
comverso
canto em qualquer canto
mexpresso.

...

Esperança

Um dia, verão
em raios sem conta
o sol desponta

...


Sonho em inscrever uma palavra que brada. Que se volte aos fragmentos de onde veio, onde tudo é tal, tudo é toque, tato, total. No chão, a pedra vai re velando o caminho entre vãos. Montanha, pedra, cal.

e aí, o que vai ser?

sábado, 16 de janeiro de 2010

roda mundo roda gigante roda moinho roda Pião.

Mais um giro na sustentação de nosso desespero frente ao infinito relativo do tempo. Mais um giro em torno dos nossos suspiros por um mundo melhor, um fundo melhor, uma renda melhor, uma lenda melhor. Precisamos capinar nossos caminhos. Apesar de tudo, apesar de nós, os nós nesse rolo girante, o parque continua. Apesar de nossa impassível persistência em olhar a miséria e a desolação, o mundo ainda estremece no desespero. E toma de volta um pouco da vida que lhe tomamos cotidianamente. Força ao povo do Haiti, e a todos que, com os mas e más de sempre, continuam. Continuo:

O tempo dá voltas

voraz mente

.

como mundos

como átomos

como versos

como se nota

como se volta

.

não por acaso

meus dias

estão

contados

.

em voltas

eternas

da

terra

.

ora

em torno

de si

ora

em torno

do sol

.

envolto

em escuridão

.

à parte

ao partir

o ir

.

o norte

essa valsa

auroras ocasos

.

por onde

passo

.

apenas ponto

diáfano

.

pairando

.

no espaço

à espera

da morte

revolta.


...

Partindo aos corações

lá se vão os palhaços

caminhando

sobre sonhos esfarelados

...


Após os beatles, o rock n' roll e a cultura das contraculturas, O Sono Acabou.

E agora, o que faremos de nós?



terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Passareando pelos cantos, entre férias e feras e descansos, mais uns cantos dos cantos:

Ave
nida Vida

Ter o direito
de estar
esquerdo
de ir
e vir e servir
a
ninguém.

sorver o vinho no vi-
ver o horizonte
essa linha
vista -
nunca lida.


cem acertos
ou
açoites
- ver.


vir a ser
o vão
devir


via
vira
viva
poesia.


venha
logos..:
noite dos meus
dias.

...

Folha

um apontàdor
um lápis
a ponta

(fogo!)

...

Bom começo do fim pra todos. Tudo bom, já tá bom. Pois todas as coisas do Mundo não cabem numa ideia, mas tudo cabe numa palavra, nesta palavra, tudo.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Atronarta Libertado - solto no espaço

Essa da arte de astronarta fica pra outra data. Por ora, no tempespaço-tempestade relampando-relativo, o pó dum poema cinzelando concreto:

Solte o se, o si

faça-se fumaça
sonhe esse sono
sangre esse osso
suma essa sombra
asse esse aço

sem susto
cem passos
cem saltos-
pássaros
cintilando
no espaço

seja seu
sempre - somos
o sumo:
semente
somente
se

ser
se
saber
si
solo
sol

o
ó

.
.
! . ?




Abraços reticentes . . .

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

mais do mesmo, sempre, diferente.

Tudo provisório ainda. Nome frases aparências e tal.

Cansado de arquivar desvãos só em orkuts agendas líquidos e sons. Aqui: gaveta virtual para escritos meus, de terceiros, segundos ou primeiros. Parte daqui para o mundo; como tudo: Bom apetite.

Começa com uma polêmicassemia mia, metomímica:

Me espanto.

às vezes
me escrevo

inscrevo
leio
tanto
que...
me livro.

É tanta cria
atividade
no ar
que
I too
in vento.


Ou em páginas
me nada
tanta água
que
eu rio
eu, nada.
...
Poesia é minha alergia:
espirrar a poeira do ar
que só se vê, tem vez, ao sol
mas está lá.

Dor-Alívio-Alegria.
joga da boca nas caras ou pior,
tapa com a mão
e deixa o vírus se espalhar
pelas linhas dos dedos contaminados
e daí pro mundo, aberto à palma
de nossa invisível fragilidade.
...

Cuidado com a gripe do porco.
Especialmente as mulheres grávidas velhos crianças bêbados e frágeis em geral.

Tudo provisório sempre. Nomes frases aparências e tal.